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A criação da mulher
... E Deus fez a mulher...
Houve harmonia no paraíso.
O diabo vendo isso, resolveu complicar...
Deus deu a mulher cabelos sedosos e esvoaçantes.
O diabo deu pontas duplas e ressecadas.
Deus deu a mulher seios firmes e bonitos.
O diabo os fez crescer e cair.
Deus deu a mulher um corpo esbelto e provocante.
O diabo inventou a celulite, as estrias e o culote.
Deus deu a mulher músculos perfeitos.
E o diabo os cobriu com lipoglicerídios.
Deus deu a mulher uma voz suave, doce e melodiosa.
O diabo a fez falar demais.
Deus deu a mulher um temperamento dócil.
E o diabo inventou a TPM.
Deus deu a mulher um andar elegante.
O diabo investiu no sapato de salto alto.
Então Deus deu a mulher infinita beleza interior.
E o diabo fez o homem perceber só o lado de fora.Só pode haver uma explicação para isso:
'O diabo é Gay !!!!!
Categoria: Conversa Fiada
Escrito por Escrito por Silvio dos Anjos às 14h15
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Amor Pagão
Conta-se que pelos idos anos 60, na capital da Bahia, Salvador, numa noite chuvosa, um jovem mancebo decidiu ir a um baile. Passara um dia muito solitário em seu trabalho, no banco onde era escriturário. Sentiu, naquela noite de sexta-feira, um desejo bisonho de dançar até o baile acabar. Parecia nunca ter feito aquilo, pé-de-valsa que era. Um vazio profundo estava em seu íntimo, impulsionando-o a ir aquele salão onde moças solteiras esperavam timidamente que um cavalheiro fizesse as honras e as convidasse para dançar.
Era um salão de família, e os casais casados da sociedade costumavam freqüentar aquele ambiente que iniciava suas funções na sexta-feira. Quem estivesse à procura de mulheres fáceis, era melhor não ir ali. O lugar trazia o selo de idoneidade social, e o jovem mancebo sentia um desejo fremente de encontrar alguém com quem pudesse entrelaçar um relacionamento.
Arrumou-se com a melhor roupa, passou gomalina nos cabelos, bafejou seu melhor perfume. Decidiu tomar um ônibus, pois não queria impressionar moça nenhuma com seu carro. Experimentaria, naquela noite, o prazer de conquistar alguém que simpatizasse com seu eu, apenas. Abriu o guarda-chuva e seguiu até o ponto de ônibus, consternado, porém decidido a realizar aquela façanha.
O salão estava cheio, e o pé-de-valsa se manteve afastado observando as moças que, timidamente, seguravam pequenas bolsas com as duas mãos na frente do corpo. Ele queria sentir o impacto da primeira impressão, somente então convidaria a cocote. E não estava fácil. Embora muitas moças bonitas estivessem a espera, nenhuma lhe provocara qualquer sensação imediata.
Vários toques bailaram pelo salão, antes que ele sentisse a força do olhar de alguém que o observava. Não estava diante de si... o olhar vinha detrás. Virou-se lentamente, assustado com o que sentia. Quase não acreditou que diante de si, tão bela figura pudesse estar a observá-lo. Não seguiu imediatamente para o convite, pois suas pernas falharam. Precisava recompor-se, pois sequer conseguiria balbuciar o convite para dançarem.
Ela aceitou sem qualquer titubeio. Um vagido sorriso estampou-se em sua boca pequena, enquanto oferecia a mão delgada para que ele a tomasse e a conduzisse até o meio do salão. Parecia que somente eles estavam ali. Um perfume suave de rosas inundava o ar de vez em quando. Dançaram a noite inteira, sem nenhum intervalo espontâneo. Ao terminar o baile, o jovem rapaz percebeu que não havia trocado uma palavra sequer.
Perguntou o nome da moça. Ela apenas olhou profundamente nos olhos. Saíram no salão e uma forte garoa dominava o ambiente. Mais que depressa ele lhe ofereceu o casaco para que ela não se molhasse. Sinalizou pedindo a ele uma caneta e papel, ao que ele arranjou prontamente. Sem dizer uma palavra, a moça escreveu o seu nome, e o endereço de sua casa.
O rapaz mostrou-se ansioso por levá-la para casa, mas ela meneou negativamente a cabeça. Mesmo que seja muda, pensou ele, é muito linda e gentil... posso superar esse limite. Despediu-se da moça, como fazem os cavalheiros, enquanto ela subia no ônibus e desaparecia no breu da noite. Somente após alguns minutos ele seguiu para o ponto, a fim de ir embora.
No sábado, bem cedinho, o rapaz levantou-se, entrou no carro e seguiu em busca daquele endereço. Não foi difícil encontrá-lo. Era na periferia, em uma casa pobre, mas bem arrumada. Bateu na porta sentindo-se muito constrangido. Ainda era cedo, mas não queria perder tempo... estava certo de que encontrara o amor de sua vida.
Uma senhora idosa atendeu a porta. Imediatamente ele se identificou e disse que estava ali para buscar a blusa que emprestara para a moça. A velha olhou-o com estranhamento e afirmou que ali não morava nenhuma moça com aquela descrição. Atordoado ele insistiu forçando um pouco a porta para entrar. Nesse momento viu na parede um quadro com uma pintura da face de sua amada. Estava mais jovem, porém não tinha dúvida que se tratava dela.
Assustada com a insistência do rapaz que agora apontava para o quadro afirmando que se tratava da moça com quem dançara a noite inteira, a velha decidiu contar-lhe a verdade. Fazia três anos que aquela moça morrera. Atordoado, o jovem insistia que dançara com ela a noite inteira. Sem saber o que fazer, a senhora deu-lhe o endereço do cemitério, indicando-lhe a tumba onde ela fora enterrada.
Não era possível acreditar naquela estória... havia algum engano, ele pensava enquanto dirigia-se ao cemitério. Chegando lá, ao aproximar-se da tumba, foi com espanto que o rapaz pode ver seu casaco descansando sobre a lápide, como se estivesse em um cabide.
Depois, o que se via era o pobre rapaz andando pela cidade dia e noite, feito andarilho. Dizem que em vagos momentos de lucidez, ele dizia estar procurando aquela que por um pedaço de noite fora o amor de sua vida.
Categoria: História pra boi dormir
Escrito por Escrito por Silvio dos Anjos às 14h13
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Essa coisa de preceito
Cá no interior ainda existem preceitos que são seguidos. O grande problema, porém, de praticar preceitos em certas horas, é não ter os mesmos recebidos com a devida compreensão. Quando se trata de pessoas jovens que discriminam aqueles que praticam os preceitos, pode-se até compreender. Os jovens não estão muito acostumados com isso. Quando os preceitos são discriminados por pessoas mais velhas, aí a coisa complica. É meio difícil compreender tais discriminações, pois são atitudes que correspondem ao tempo daquele que a recusou. Outro dia mesmo, estava eu estacionado na margem da principal avenida da minha cidade, observando o trânsito, enquanto esperava a minha esposa que entrara num comércio. Era o horário de rush e muitos carros trafegavam por aquela avenida principal quando, de repente, vi uma moto parar no meio da rua. Assim do nada, pensei, o indivíduo para no meio da rua, colocando sua vida e a vida de outros em risco, com aquele sorriso banguela estampado no rosto. A moto só pode ter estragado... ninguém em sã consciência faria uma coisa dessas assim do nada. Fiquei observando o indivíduo e pensando todas essas coisas, naquele parco tempo que não passou de poucos segundos. Mas segundos nessa situação parecem horas. E o cérebro trabalha em velocidade surpreendente para assimilar e decifrar um ato dessa casta, que no primeiro julgamento parece ir contra todos os princípios naturais e sociais. O olhar fixo naquele ponto, quase foi impedido pelo cérebro de ver aquela senhora, quase idosa, atravessando a avenida, caminhando pela faixa central. Ela sim estava correndo risco, pois sua habilidade para se movimentar com rapidez não podia ser das mais ágeis. O motoqueiro humildemente esperava que a senhora atravessasse pela frente da moto, onde a seu ver oferecia segurança. Com um sorriso banguela estampado no rosto esperava que a senhora distinta tivesse sua segurança garantida por ele. ( mesmo ele sendo alguém cuja atitude demonstra a falta de habilitação para pilotar aquele veículo). Mas estava ali, banguela, com o sorriso perdendo sua força, enquanto a senhora distinta o ignorava completamente para garantir sua travessia por trás da moto. Fiquei observando aquela cena e pensando no por que dos preceitos se perderem no tempo. Aquela senhora, que também podemos dizer que é uma pedestre inapta a caminhar pelas ruas da cidade, atravessava fora da faixa de pedestre, próxima a um semáforo. Preferia, ainda, atravessar por trás da moto daquele homem que gentilmente colocava o trânsito em risco para praticar uma gentileza.
Categoria: Conversa Fiada
Escrito por Escrito por Silvio dos Anjos às 14h12
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O Conquistador
Outro dia vi quando um menino que chegava à sorveteria viu aquela menina que estava sentada sozinha à mesa, mais ou menos no meio do salão. Confesso que era uma menina bem bonita, mas não foi esse o caso. Foi aquela situação que todos nós já passamos um dia, e que quando acontece ninguém tem o controle. Melhor é quando acontece com os dois, porque o mico que tiver que ser dado, se torna “bunitinho”.O menino, prá começo de conversa, tropeçou no degrau que separava a sala da sorveteria da calçada. (se eu descobrisse quem inventou o degrau, nem sei o que faria). Na mesma velocidade que ele espalmou as mãos no chão, já levantou. Um riso sem graça tentou disfarçar o rubor do rosto, e seus olhos enxergaram somente a menina ali sentada, veia do pescoço completamente inchada, e o riso (que riso que nada), a gargalhada contida...- Quase caí né? – ele disse prá ela.- É – ela respondeu.Mas ele tinha caído... se levantou rápido, mas tinha caído.- Que degrau prego, né? – ele disse.- É – ela respondeu.Prego mesmo, porque quase pregou ele no chão...- Pensou se eu bato o nariz no chão, ia virar lavar o chão com sangue, né? - É – ela respondeu fazendo uma expressão facial indecifrável, mas estampando um belo sorriso em seguida.O menino aproximou-se todo tímido; tropeçando em uma cadeira que estava encostada na mesa vizinha à da menina e soltou a máxima:- Você tem Orkut?Era só o que me faltava... tava demorando, pensei.- Tenho...Pelo menos dessa vez ela mudou de argumento.- Posso sentar? – perguntou enquanto sentava.- Pode...Sei que saí dali e os dois ficaram conversando... unidos pelo Orkut, acho!!!
Categoria: Diálogos Improváveis
Escrito por Escrito por Silvio dos Anjos às 14h05
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